A sociedade dividiu-se em um amplo leque de possibilidades e complexidades, e nós corremos à procura do nosso merecido pedaço de qualquer cupcake que esteja saindo do forno. Não somos ratos de laboratório – e sim humanos, supostamente mais inteligentes do que eles -, temos nossa liberdade de pensamento, ainda que fictícia, podemos escolher o que é realmente bom para nós. E por que não o fazemos?
Ao mesmo tempo, o desconhecido é atraente e assustador. Uma criança tem medo do escuro, pois não sabe o que há nele. O ser humano teme uma força maior porque não tem controle sobre ela. O que não sabemos é sempre mais brilhante.
As coisas óbvias.
São elas.
Há algum tempo atrás, eu resolvi que havia uma sombra por trás de tudo, e era nessa sombra que eu deveria concentrar minhas atenções. Significava o sentido por detrás do que realmente é dito, as palavras que não são escritas, os olhares que olham mais com a alma do que com os olhos. E isso foi importante pra mim, me ensinou a ver o mundo de uma maneira que eu jamais imaginei que seria possível.E foi justamente com essa nova visão que percebi uma coisa simples.
As cores primárias.
Depois delas, todas as outras. E por que devo eu focar-me nas suas mais distantes variações, se diante dos meus olhos está o princípio de tudo?
É essa complexidade desnecessária. Infinitas possibilidades que nos atraem e distorcem imagens.
Quantas vezes nessa semana você foi a janela, não para saber se deveria usar ou não um casaco naquela manhã, ou porque seu vizinho resolveu lavar o carro cantando What time is it?, mas pra olhar pro céu? E, ainda, se o fez, queria saber se ia chover (previsão meteorológica de vovó, adoro) ou respirar um pedaço de nuvem? Eu falo respirar um pedaço de nuvem porque é isso que eu tenho vontade de fazer toda vez que elevo os olhos. Tenho a impressão de que isso fará sentir-me viva. Sentir-me parte daquele universo distante – e ao mesmo tempo, tão próximo, tão tocável.
Fugir da loucura que mergulhamos diariamente e atirar-nos ao desconhecido.Tente andar em um ambiente familiar para você, mas de noite, escuridão total, e diga-me que não sentiu receio de encontrar alguma coisa, qualquer coisa? E que acendeu a luz e tudo estava como sempre foi.
Então enfrente seus medos! Enfrente tudo que a sociedade lhe impõe – enfrente a idéia de que o que não vemos é mais incrível, mas saiba entender as entrelinhas. Acredite nos monstros da noite vá com eles! Acredite em deuses e demônios, no impossível, no que não foi cientificamente comprovado. Comprove por si mesmo (a).
Essa é a única forma realmente eficaz de se libertar.
Nade contra a corrente. Tire fotos de uma flor murcha, ouça uma orquestra de pássaros, tome banho de chuva. Não assista o universo, seja ele. Não precisamos ser produtos pré-fabricados por uma indústria de jovens alienados. Acredite na simplicidade da vida. Não busque a felicidade, mas busque sonhos.
Entregue-se.
E se eu morrer amanhã, vai ser porque estive viva.
Alice, porque eu cansei de ‘assinar’ como Fiona.




